Claro que me lembro de ti Débora! Já lá vão uns anos, desde o 9º ano na Escola Inês de Castro, há quanto tempo!... 10 anos passaram! Ando por Gaia, claro, essa bela localidade :P
É em ti que se escreve o horizonte, pois não és apenbas céu, não és apenas mar ou terra, és tudo mais, esse lugar secreto, onde o sol se deita e a lua amanhece...assim és tu...esse meu lugar maior.
E sem asas, contigo é melhor que tudo o resto, poder voar, redescobrir cada pedaço de quem somos, uma e outra vez.
Todas as palavras são pequenas, para alguem grande como tu.
A ti, porque por ti, as palavras fazem sentido e a tinta dança, neste palco de silabas que me grita a alma...
A ti, por esta ausência, e os encontros e desencontros que os dias me vão deixando.
Encontro-te em mim, no teu toque, dos dedos e do olhar ali te encontro, o teu abraço, que me abraça a cada porta rendida ao virar de cada esquina, a cada passo de uma calçada perdida em cada avenida, em cada montra despida, em cada árvore, em cada fim do mar
Em mim te encontro, nos desencontros da vida, te sinto na brisa, cada teu gesto numa mesa de café, ao fim do dia, onde te espero, como um pouco de fé ao fim da rua, te guardo e aguardo, não desespero pois te procuro no fim dos olhos, no fim dos dedos, e te encontro, antes do princípio do resto
E como um manifesto nunca escrito te encontro, nos sorrisos que olhar recito nas entrelinhas, tão minhas, que no fundo de mim, só tu, lês
À porta de cada dia, na cor de cada soneto no sabor dos murmúrios de brisa, que se fazem dialecto ao olhar-te, além dos olhos, e sorrir-te com o encanto de uma primeira vez
Encontro-te em mim, no meu respirar, na minha sub-pele na certeza de cada antemanhã, que encontro no horizonte no último fio de sol, que me acende o olhar, me acaricia a fronte no abraço de uma lua, nua, de prata, por quem inventei, um céu inteiro de papel
Para escrever as estrelas, pelo teu olhar que dança que vive no meu, herdeiro da noite, e o esculpe de esperança como sopro de luz, que seduz, e me resgata das noites mais negras no teu abraço, que sinto, como trago de absinto, e me leva além regras
E em mim te encontro, te descubro sem pudor, a tua cor, num beijo de sabor rubro como âncora dos meus versos, marés dos meus olhos submersos
Quando nos teus aportam, são estrofes de céus e outros universos encontro-te em mim... deste lado do céu, deste lado do espelho como o vento que invento, como um beijo, que desejo...teu, no meu rosto de velho
Encontro-te em mim nos meus passos, paisagens e viagens nos altares de outros credos, sem medos, tuas imagens como prece que amanhece e nasce, como princípio de um sem fim
Encontro-te em mim,numa carta, ao vento, ao amor nas linhas das mãos, onde amanhecem os verbos onde não vivem loucos sonhos, nem um querer assim soberbo apenas te encontro, como folha, que voa ao vento, rumo à tua, ao teu calor
Encontro-te em mim, antes do toque, no abraço dos teus olhos nos aromas de cetim, que tinges, tatuas em mim, como petalas aos molhos derramadas como prosas, perfumando as entrelinhas deste meu humilde ensaio
Encontro-te na tinta, das palavras de vozes nuas nas calçadas despidas, por entre os sorrisos das ruas como poema, que és tema, onde te encontro, num sorriso de soslaio.
E assim te encontro... e a cada amanhecer de mim...pergunto ao quarto vazio, às paredes de vento...deste lado da janela... Onde estás...
Amo-te.
Sou teu.